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Sistema OCB/RJ debate diversidade LGBTI+ e cooperativismo em encontro pela construção de ambientes mais humanos

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A Casa do Cooperativismo Fluminense, por meio do Comitê Gestor de Gênero Dona Terezita, realizou nesta sexta-feira, 26 de junho, o encontro“Diversidade LGBTI+ e Cooperativismo: Construindo Ambientes Mais Humanos”, que reuniu especialistas, lideranças do movimento social e representantes do cooperativismo em uma tarde de debates sobre inclusão, respeito e valorização das pessoas.

O evento teve como objetivo aproximar a pauta da diversidade LGBTI+ dos valores que estruturam o cooperativismo, promovendo a troca de experiências e de boas práticas que contribuam para a construção de ambientes cooperativos mais inclusivos, seguros e humanizados. A proposta partiu do entendimento de que a diversidade é uma força capaz de impulsionar a inovação, o desenvolvimento humano e a construção de comunidades mais justas.

À frente do comitê, a presidente Rosa Maria dos Santos — que também preside a Coopidade, Cooperativa de Cuidadores de Idosos — abriu o encontro, reforçando que o debate sobre diversidade não pode ficar restrito a uma data no calendário.

“Não podemos falar de diversidade apenas no mês do orgulho. Esse é um tema que precisa estar presente o tempo todo, no nosso dia a dia, porque é assim que se combate o preconceito e se constroem ambientes verdadeiramente respeitosos. Enquanto houver preconceito na sociedade, é nosso dever continuar dialogando, informando e acolhendo.”

Representando a instituição, as analistas de promoção social Ana Paula Faria e Daniele Martins destacaram a sintonia entre o tema do encontro e os princípios cooperativistas, que têm, na preocupação com a comunidade e no cuidado com as pessoas, alguns de seus pilares.

“O cooperativismo traz, em seus próprios princípios, o cuidado com as pessoas e o interesse pela comunidade. Debater a diversidade é parte natural desse movimento.” — Ana Paula Faria

“Encontros como este mostram que a inclusão não é discurso, é prática. O cooperativismo se fortalece quando todas as pessoas se sentem pertencentes.” — Daniele Martins

A força histórica do movimento social

Entre as vozes do encontro, o presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento, à frente de uma das organizações LGBTI+ mais tradicionais do país, trouxe a perspectiva histórica do movimento e ressignificou um conceito muitas vezes mal compreendido.

“Para nós, orgulho não está associado à arrogância nem à vaidade, mas à resistência, à resiliência e à busca por respeito e dignidade. E ele precisa ser vivido todos os dias, de maneira orgânica, para que as pessoas se sintam efetivamente acolhidas em espaços seguros. Por isso, dizemos: orgulho todo dia, por um Brasil sem LGBTfobia.”

Cláudio também lembrou que a construção de ambientes acolhedores exige mais do que celebrações pontuais: depende de políticas permanentes nas empresas, nas cooperativas e nas ações empreendedoras, capazes de transformar o acolhimento em prática cotidiana.

Os painéis

A programação foi organizada em dois painéis, que uniram a teoria jurídica à prática do cuidado e da gestão no terceiro setor e no cooperativismo.

O primeiro painel — “Cooperativismo Inclusivo: A Segurança Jurídica e os Direitos da População LGBTI+” — reuniu as advogadas Ana Luisa Lima, Camila Doudement, coordenadora do Centro de Cidadania LGBTI+ Capital 1, e Thais Marins, coordenadora do Centro de Cidadania LGBTI+ Madureira.

O debate contextualizou o cenário das leis e dos direitos fundamentais voltados à comunidade, trouxe a experiência prática do atendimento público e mostrou como as cooperativas podem se resguardar contra a discriminação e criar ambientes efetivamente seguros e inclusivos.

O segundo painel — “Redes de Apoio e Cuidado: Saúde Mental, Assistência e Enfrentamento à Vulnerabilidade LGBTI+” — humanizou o debate ao tratar das dores psicossociais da comunidade, do envelhecimento sem amparo familiar e da importância das redes de acolhimento.

Participaram a assistente social Cássia Gouveia, vice-presidente da Associação dos Cuidadores do RJ (ACIERJ), e Patricia Esteves, coordenadora do Centro Comunitário LGBTI+ Rio e vice-presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+.

As falas abordaram o cuidado com populações em situação de vulnerabilidade, o papel da sociedade civil na cobrança por políticas públicas e os impactos do preconceito sobre a saúde mental.

Cooperar é incluir

Ao encerrar o encontro, ficou reforçada a mensagem que atravessou toda a programação: a cooperação é um caminho para unir diferentes perspectivas, promover a equidade e transformar realidades. Mais do que um debate, o evento se propôs a fortalecer uma cultura de respeito, pertencimento e valorização das singularidades, inspirando colaboradores, cooperados e lideranças a reconhecerem, na diversidade, um valor essencial ao desenvolvimento humano e cooperativista.

Fonte: Richard Hollanda — Analista de Comunicação do Sistema OCB/RJ.