RadarCoop – Atualização Semanal – 8/7/2026

Risco Operacional: como fortalecer processos, controles internos e prevenir perdas nas cooperativas de crédito
Ramo Crédito | Normativo da Semana (número 25)
A gestão do risco operacional é essencial para garantir a segurança dos processos e a continuidade das operações
O risco operacional está relacionado à possibilidade de perdas decorrentes de falhas, deficiências ou inadequações em processos internos, pessoas, sistemas ou eventos externos. Nas cooperativas de crédito, esse risco também abrange situações que possam comprometer o cumprimento de obrigações legais, regulatórias e operacionais, afetando a continuidade das atividades e a segurança institucional. A Resolução CMN nº 4.606/2017 estabelece que as cooperativas mantenham estrutura compatível para identificação, avaliação, monitoramento, controle e mitigação dos riscos relevantes. Para que essa estrutura seja efetiva, é importante que o gerenciamento do risco operacional esteja integrado aos controles internos, à auditoria, ao plano de continuidade de negócios e aos processos de acompanhamento das perdas operacionais, fortalecendo a atuação preventiva da cooperativa.
Para as cooperativas de crédito, a gestão do risco operacional deve ser encarada como um processo contínuo de melhoria, capaz de reduzir falhas, fortalecer os controles internos e aumentar a segurança das operações.
A íntegra do normativo pode ser consultada no site do Banco Central do Brasil:
Resolução CMN nº 4.606/2017
https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolução&numero=4606
Aspectos que merecem acompanhamento permanente pela administração
Avaliação contínua dos riscos e dos controles
A gestão do risco operacional deve contemplar a identificação dos processos críticos da cooperativa, a avaliação dos riscos inerentes às atividades desenvolvidas e a verificação periódica da efetividade dos controles internos existentes. A adoção de matrizes de riscos e controles constitui uma boa prática de gerenciamento, permitindo apoiar a administração na identificação de vulnerabilidades, na priorização de ações e no fortalecimento da estrutura de controles internos.
Registro e acompanhamento das perdas operacionais
O registro estruturado das ocorrências relacionadas ao risco operacional permite identificar causas recorrentes, avaliar vulnerabilidades e promover melhorias contínuas nos processos da cooperativa. Entre os eventos que merecem registro e acompanhamento estão fraudes internas e externas, falhas em sistemas de tecnologia da informação, interrupções de atividades, inadequações em processos, falhas no cumprimento de prazos e demais ocorrências capazes de gerar perdas operacionais.
Planos de ação e implementação das medidas corretivas
As fragilidades identificadas por meio dos controles internos, auditorias ou processos de avaliação devem ser tratadas por meio de planos de ação estruturados, com definição de responsáveis, prazos e acompanhamento da implementação. O monitoramento contínuo dessas ações contribui para reduzir a reincidência de falhas, fortalecer os controles internos e aumentar a efetividade da gestão de riscos.
Plano de contingência
A cooperativa deve possuir procedimentos previamente definidos para responder a falhas operacionais que possam comprometer processos considerados críticos. Esse plano deve estabelecer procedimentos, responsabilidades e medidas alternativas que permitam assegurar a continuidade das operações e minimizar os impactos decorrentes de eventos inesperados.
Cultura de gerenciamento de riscos
O fortalecimento da cultura de gerenciamento de riscos depende do comprometimento da administração e da participação de todos os colaboradores na observância dos procedimentos internos, dos princípios éticos e das práticas de controle adotadas pela cooperativa. A disseminação dessa cultura favorece a prevenção de falhas, o aperfeiçoamento dos processos e o fortalecimento da governança institucional.
Ferramentas de apoio ao monitoramento
As cooperativas participantes do Projeto Conformidade, desenvolvido em parceria com a OCB RJ, contam com ferramentas que apoiam a gestão do risco operacional por meio do acompanhamento de planos de ação, monitoramento de apontamentos de auditoria, matrizes de riscos, controles internos e demais instrumentos de governança.
Esses recursos permitem à administração acompanhar a implementação das ações corretivas, registrar evidências de regularização e fortalecer a atuação preventiva da cooperativa, contribuindo para o aprimoramento da gestão de riscos, dos controles internos e da governança institucional.
Papel da administração
A administração possui papel central na estrutura de gerenciamento do risco operacional, devendo assegurar que os processos de identificação, avaliação, monitoramento, controle e mitigação dos riscos sejam implementados, acompanhados e continuamente aperfeiçoados.
Também compete à Diretoria, ao Conselho de Administração e ao Diretor Responsável pelo Gerenciamento de Riscos acompanhar os relatórios periódicos, deliberar sobre os planos de ação, monitorar a implementação das medidas corretivas e promover a melhoria contínua dos controles internos.
Fragilidades que podem aumentar a exposição ao risco operacional
A inexistência de processos formalizados para identificação, avaliação e monitoramento dos riscos operacionais pode dificultar a atuação preventiva da cooperativa e aumentar a probabilidade de perdas decorrentes de falhas em processos, pessoas, sistemas ou eventos externos.
Também merecem atenção a ausência de registro e acompanhamento das perdas operacionais, a deficiência no monitoramento dos planos de ação e a inexistência de mecanismos que permitam avaliar a efetividade das medidas corretivas implementadas, favorecendo a recorrência de falhas e fragilizando os controles internos.
Outro ponto de atenção é a inexistência de plano de contingência para processos críticos e a ausência de revisões periódicas dos controles internos, fatores que podem comprometer a capacidade de resposta da cooperativa diante de situações adversas.
Por fim, a falta de envolvimento da Diretoria, do Conselho de Administração e do Diretor Responsável pelo Gerenciamento de Riscos no acompanhamento dos riscos identificados pode comprometer a efetividade da estrutura de gerenciamento de riscos e enfraquecer a governança institucional.
Atenção:
O gerenciamento do risco operacional não deve se limitar à correção de falhas já ocorridas. A adoção de processos estruturados para identificação dos riscos, registro e acompanhamento das perdas operacionais, implementação de planos de ação, fortalecimento dos controles internos e disseminação da cultura de gerenciamento de riscos constitui importante instrumento para prevenção de perdas e melhoria contínua dos processos.
Para as cooperativas de crédito independentes, uma estrutura de gerenciamento do risco operacional bem implementada fortalece a governança, aumenta a segurança das operações e contribui para o cumprimento das exigências regulatórias estabelecidas pelo Banco Central.
Na edição anterior, abordamos o Risco de Capital e a importância do monitoramento da suficiência patrimonial para garantir a sustentabilidade da cooperativa.
Nesta edição, avançamos para o Risco Operacional, destacando a necessidade de fortalecer processos, controles internos e planos de ação como forma de prevenir perdas e assegurar a continuidade das operações.
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