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RadarCoop – Atualização Semanal – 28/10/2026

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Pré-auditoria Cooperativa: como transformar o escopo da auditoria em uma ferramenta de prevenção e melhoria dos controles internos

Ramo Crédito | Normativo da Semana (nº 41)

A auditoria cooperativa já pode entrar no planejamento das instituições financeiras de forma antecipada. Com a divulgação dos escopos mínimos pelo Banco Central do Brasil, as cooperativas têm a oportunidade de antecipar a análise de seus processos, identificar fragilidades e providenciar ajustes antes do início dos trabalhos.

A proposta é simples: utilizar os escopos definidos para a própria cooperativa, por meio de Ofício encaminhado via Siscom, como um roteiro de pré-auditoria, verificando o que já está sendo atendido, quais evidências estão disponíveis e quais pontos ainda precisam de atenção.

Essa iniciativa pode ajudar a evitar surpresas durante a próxima auditoria cooperativa,  permitindo que a administração trate as pendências de forma planejada e antecipada, evitando novos apontamento e até mesmo reincidências.

  1. Primeiro passo: identifique os escopos aplicáveis

O Banco Central do Brasil organiza os escopos mínimos de auditoria cooperativa por códigos, conforme o perfil da instituição. Para os exemplos de cooperativas singulares apresentados nos anexos de 2027, temos:

Perfil da cooperativa Códigos de escopo O que será avaliado
Clássica 130, 219 e 223 Prudencial, relacionamento com clientes e usuários, e PLD/FTP
Capital e Empréstimo 130, 220 e 224 Prudencial, relacionamento com clientes e usuários, e PLD/FTP

Atenção: o código 130 corresponde ao escopo prudencial para cooperativas singulares classificadas no segmento S5. Os códigos 219 e 223 são destinados às cooperativas singulares plenas e clássicas; os códigos 220 e 224, às cooperativas singulares de capital e empréstimo.

A cooperativa deve confirmar os códigos definidos para ela no ofício recebido do Banco Central do Brasil. A tabela acima não substitui essa verificação, pois os escopos aplicáveis são determinados individualmente e podem sofrer alterações.

  1. O que verificar em cada escopo?

Depois de identificar os códigos aplicáveis, o próximo passo é consultar os respectivos anexos e transformar os itens de avaliação em uma lista de verificação interna.

Escopo 130 — Prudencial

A análise abrange aspectos da situação econômico-financeira, informações contábeis, carteira de crédito, limites operacionais e requerimentos de capital, governança, controles internos, gestão de riscos e de capital, além do tratamento de apontamentos de auditorias anteriores.

A cooperativa pode começar verificando a conciliação dos saldos relevantes, o monitoramento dos controles e limites, a adequação das políticas e a existência de evidências de acompanhamento pela administração.

Escopos 219 ou 220 — Relacionamento com clientes e usuários

A avaliação contempla a política institucional de relacionamento, a oferta e comercialização de produtos e serviços, as informações disponibilizadas aos clientes, a formalização dos contratos, tarifas e encargos, a gestão de demandas e a atuação da ouvidoria, conforme aplicável.

Na pré-auditoria, vale conferir contratos e registros, verificar a divulgação das informações exigidas, avaliar o tratamento das reclamações e observar se os procedimentos previstos estão sendo efetivamente executados. Também é importante examinar a implementação da política de relacionamento, com atenção à aprovação formal pela administração, à divulgação interna, à capacitação dos colaboradores, ao monitoramento da aderência e à existência de evidências de revisão periódica.

Escopos 223 ou 224 — PLD/FTP

A análise deve seguir os itens de avaliação previstos no anexo específico do código aplicável à cooperativa. Como preparação, a instituição pode organizar os documentos e registros relacionados à prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, verificando a aplicação dos procedimentos, a atuação dos responsáveis e as evidências dos controles exigidos. A consulta ao escopo específico é essencial para conferir os itens que serão efetivamente avaliados.

  1. Como fazer a pré-auditoria na prática?

Com os escopos identificados, a cooperativa pode percorrer cada item de avaliação e registrar sua situação.

Para facilitar, utilize uma planilha ou ferramenta de acompanhamento com os seguintes campos:

  • Código e item do escopo: qual requisito está sendo analisado.
  • Situação atual: atendido, parcialmente atendido, não atendido ou não aplicável.
  • Evidências disponíveis: documentos e registros que comprovam a situação.
  • Ponto de atenção: o que precisa ser corrigido ou complementado.
  • Plano de ação: providência necessária, responsável e prazo.
  • Acompanhamento: evolução da correção e evidências de conclusão.

Essa análise ajuda a diferenciar os itens já atendidos daqueles que exigem providências, permitindo priorizar os ajustes antes da auditoria.

  1. Não basta ter documentos: é preciso verificar a execução, uma política formalizada não comprova, por si só, que os controles estão funcionando. A pré-auditoria também deve verificar se os procedimentos são executados e se existem registros que demonstrem sua realização. Se um item exigir acompanhamento, aprovação, conciliação ou monitoramento, a cooperativa deve verificar como essa atividade é realizada e quais evidências podem demonstrá-la.

Os apontamentos de auditorias anteriores também merecem atenção. É importante conferir se as ações corretivas foram implementadas, se as causas das falhas foram tratadas e se há pendências que ainda precisam ser resolvidas, principalmente aqueles pendentes em 03 (três) auditorias consecutivas, resultando em Fatos Materialmente Relevante – FMR pelo Banco Central do Brasil.

  1. Como o Coopmonitor/Oncoop pode apoiar?

O módulo de auditorias do Coopmonitor/Oncoop pode apoiar a organização dessa avaliação preventiva, permitindo utilizar os recursos disponíveis na plataforma para registrar, acompanhar itens, registrar pendências e monitorar as ações necessárias.

A ferramenta deve funcionar como apoio ao processo: a cooperativa precisa avaliar cada requisito, analisar as evidências e registrar a situação real.

Atenção

A pré-auditoria não substitui o trabalho da empresa ou entidade de auditoria cooperativa. O objetivo é antecipar a identificação de fragilidades e permitir que a instituição tome providências antes da avaliação formal, a cooperativa pode ainda ampliar o escopo ou a profundidade dos exames conforme sua gestão de riscos e controles, mas não pode reduzir os requisitos mínimos definidos pelo Banco Central do Brasil.

Para começar:

A cooperativa já pode dar três passos:

  1. Localizar o ofício do Banco Central e confirmar os códigos aplicáveis.
  2. Consultar os anexos correspondentes e realizar a verificação de todos os itens.
  3. Registrar as pendências e acompanhar as ações corretivas até sua efetiva conclusão.

A preparação antecipada transforma o escopo da auditoria em um instrumento de gestão, permitindo que a cooperativa conheça melhor sua situação e priorize os pontos que precisam de melhoria. Não espere a auditoria começar para descobrir o que precisa ser corrigido. Use o escopo como roteiro, antecipe os ajustes e fortaleça os controles antes da avaliação.

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