RadarCoop – Atualização Semanal – 24/6/2026

Risco de Liquidez: a importância do equilíbrio financeiro e da capacidade de honrar compromissos
Ramo Crédito | Normativo da Semana (número 23)
O risco de liquidez está relacionado à possibilidade de a cooperativa não conseguir cumprir suas obrigações financeiras de forma tempestiva, sem incorrer em perdas significativas ou comprometer a continuidade de suas operações.
A adequada gestão desse risco é essencial para assegurar a confiança dos associados, a estabilidade financeira da instituição e a manutenção de suas atividades em cenários adversos.
Nesse contexto, a Resolução CMN nº 4.606/2017 estabelece que as cooperativas de crédito devem manter estrutura compatível para identificação, avaliação, monitoramento e controle dos riscos relevantes, incluindo o risco de liquidez, de forma compatível com a natureza e complexidade de suas operações.
Para as cooperativas de crédito, o monitoramento contínuo da liquidez é indispensável para garantir equilíbrio entre captações, disponibilidades e concessão de crédito, permitindo atuação preventiva diante de possíveis situações de estresse financeiro.
Além disso, o Diretor Responsável pelo Gerenciamento de Riscos possui papel fundamental nesse processo, devendo assegurar que a estrutura de gerenciamento de riscos seja implementada, mantida e aperfeiçoada de forma compatível com o porte, a complexidade e o perfil de risco da cooperativa. Entre suas atribuições está o acompanhamento periódico dos indicadores de liquidez, permitindo a identificação tempestiva de situações que possam comprometer a capacidade financeira da instituição.
A íntegra do normativo pode ser consultada no site do Banco Central do Brasil:
https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolução&numero=4606
Indicadores que merecem acompanhamento permanente pela administração
Fluxo de Caixa Projetado
Permite avaliar a capacidade da cooperativa de gerar recursos suficientes para cumprir suas obrigações financeiras e operacionais ao longo do tempo. O indicador considera o comportamento histórico das despesas administrativas, levando em conta padrões sazonais e recorrentes, servindo como importante ferramenta para antecipação de necessidades de caixa e identificação de potenciais desequilíbrios financeiros. Seu acompanhamento auxilia a administração na tomada de decisões relacionadas à gestão dos recursos e ao planejamento financeiro da cooperativa.
Liquidez Geral
Mede o grau de segurança financeira da cooperativa em relação ao conjunto de suas obrigações de curto e longo prazo. Por meio desse indicador, é possível avaliar se os ativos da instituição são suficientes para suportar todas as suas dívidas, permitindo à administração monitorar a capacidade financeira da cooperativa e identificar eventuais riscos relacionados ao equilíbrio patrimonial.
Liquidez Imediata
Avalia a capacidade da cooperativa de honrar compromissos de curto prazo utilizando exclusivamente os ativos de maior liquidez, como disponibilidades em caixa, depósitos bancários e aplicações financeiras de curto prazo. Trata-se de um indicador essencial para monitorar a capacidade de resposta da instituição diante de necessidades imediatas de recursos, contribuindo para a prevenção de situações de estresse financeiro.
Ociosidade de Caixa
Permite identificar o volume de recursos mantidos em caixa ou tesouraria sem geração de retorno financeiro. Embora a manutenção de recursos disponíveis seja importante para a segurança da liquidez, níveis excessivos de ociosidade podem representar perda de rentabilidade e ineficiência na gestão financeira. O acompanhamento desse indicador auxilia a administração na busca do equilíbrio entre liquidez e rentabilidade.
Concentração de Depósitos
Maiores Cotistas
Mede o nível de concentração das quotas entre os principais associados da cooperativa, permitindo avaliar o grau de dependência em relação a um grupo restrito de cotistas. Elevados níveis de concentração podem representar riscos para a estabilidade financeira e para a própria governança da instituição, especialmente em situações de desligamento ou movimentação significativa desses associados.
Maior Cotista
Avalia a participação individual do maior cotista em relação ao total de quotas da cooperativa. O acompanhamento desse indicador é importante para evitar concentração excessiva de participação, preservar o princípio cooperativista e reduzir riscos relacionados à influência excessiva de um único associado na estrutura patrimonial da instituição.
Saldo de Recursos
Representa o montante de recursos disponíveis com liquidez imediata e de curto prazo, permitindo acompanhar a capacidade da cooperativa de suportar suas operações correntes e atender demandas financeiras dos associados. O monitoramento contínuo desse indicador auxilia na gestão do caixa, na preservação da liquidez e na tomada de decisões relacionadas à aplicação ou captação de recursos.
O acompanhamento sistemático desses indicadores permite que a administração atue de forma preventiva, identificando tendências, antecipando riscos e adotando medidas corretivas antes que eventuais desequilíbrios afetem a liquidez da cooperativa. Além disso, constitui importante evidência da efetividade da governança e do gerenciamento de riscos perante auditorias e processos de supervisão.
Ferramentas de apoio ao monitoramento
As cooperativas participantes do Projeto Conformidade, desenvolvido em parceria com a OCB RJ, possuem acesso à plataforma Coopmonitor(Oncoop), que disponibiliza indicadores de liquidez, relatórios gerenciais e painéis de acompanhamento que permitem monitorar continuamente a situação financeira da cooperativa.
A ferramenta possibilita o acompanhamento de indicadores como Fluxo de Caixa Projetado, Liquidez Geral, Liquidez Imediata, Ociosidade de Caixa, Concentração de Depósitos e Saldo de Recursos, oferecendo informações relevantes para apoio à gestão e à tomada de decisão pelos órgãos de administração.
Além dos indicadores individuais, os relatórios gerenciais permitem identificar tendências, antecipar riscos e apoiar a adoção de medidas preventivas para preservação da liquidez institucional.
Fragilidades na gestão do risco de liquidez que podem gerar impactos relevantes
A ausência de monitoramento periódico dos indicadores de liquidez pode dificultar a identificação antecipada de desequilíbrios financeiros e comprometer a capacidade da cooperativa de honrar seus compromissos.
Também merecem atenção situações de elevada concentração de recursos em poucos depositantes, crescimento da carteira de crédito sem acompanhamento adequado das fontes de captação e inexistência de projeções de fluxo de caixa compatíveis com a realidade da cooperativa.
Outro ponto relevante está na manutenção de indicadores de liquidez fora dos limites estabelecidos sem a adoção tempestiva de medidas corretivas, aumentando a exposição da instituição a riscos financeiros e operacionais.
Também representa fragilidade a inexistência de procedimentos previamente definidos para atuação em cenários de escassez de ativos líquidos, situação que pode comprometer a capacidade da cooperativa de cumprir suas obrigações financeiras sem incorrer em perdas relevantes.
Atenção:
A gestão do risco de liquidez não deve ocorrer apenas em momentos de dificuldade financeira. O acompanhamento mensal dos indicadores pela administração e pelo Diretor Responsável pelo Gerenciamento de Riscos é fundamental para identificar tendências, antecipar riscos e adotar medidas preventivas.
Além disso, as cooperativas devem avaliar a necessidade de elaboração e manutenção de um Plano de Contingência de Liquidez, documento que estabelece procedimentos, responsabilidades e medidas corretivas para situações de estresse ou escassez de ativos líquidos, contribuindo para assegurar recursos suficientes para o cumprimento das obrigações da instituição e a continuidade de suas operações.
Para as cooperativas de crédito, a utilização de indicadores confiáveis, relatórios gerenciais e mecanismos formais de contingência constitui importante evidência da efetividade da gestão de riscos e da atuação preventiva da administração.
Nesta edição, avançamos para o Risco de Liquidez, destacando a necessidade de monitoramento permanente da capacidade financeira da cooperativa para honrar seus compromissos e sustentar suas operações de forma segura e equilibrada.
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