RadarCoop – Atualização Semanal – 1º/7/2026

Risco de Capital: a importância do planejamento e da suficiência patrimonial
Ramo Crédito | Normativo da Semana (número 24)
A gestão do capital é essencial para garantir a sustentabilidade e o crescimento seguro das cooperativas de crédito
O risco de capital consiste na possibilidade de a cooperativa não dispor de capital suficiente para suportar os riscos de suas operações, atender aos requisitos regulatórios e viabilizar seu crescimento de forma segura e sustentável.
Mais do que atender aos limites mínimos estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, a gestão do capital exige uma atuação contínua da administração na avaliação das necessidades futuras de capital, considerando os objetivos estratégicos da cooperativa, seu perfil de risco e as possíveis mudanças nas condições de mercado.
Nesse contexto, a Resolução CMN nº 4.606/2017 estabelece que as cooperativas de crédito devem manter estrutura compatível para o gerenciamento contínuo de riscos e de capital, contemplando processos de monitoramento, avaliação da necessidade de capital e planejamento de metas compatíveis com sua realidade operacional.
Para as cooperativas de crédito independentes, a adequada gestão do capital representa importante instrumento para preservação da solvência, fortalecimento patrimonial e continuidade das operações.
A íntegra do normativo pode ser consultada no site do Banco Central do Brasil:
https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolução&numero=4606
Indicadores que merecem acompanhamento permanente pela administração
Endividamento Total
O endividamento total demonstra a proporção de recursos de terceiros utilizados pela cooperativa em relação ao total de ativos. Trata-se de um indicador importante para avaliar a exposição financeira da instituição e sua dependência de recursos externos. Níveis elevados podem indicar maior vulnerabilidade financeira e reduzir a capacidade da cooperativa de absorver perdas ou enfrentar períodos de instabilidade.
Solvência Geral
A solvência geral mede a capacidade da cooperativa de cumprir todas as suas obrigações utilizando seus ativos totais. Esse indicador auxilia na avaliação da saúde financeira da instituição, permitindo verificar se o patrimônio disponível é suficiente para suportar os compromissos assumidos e garantir a continuidade das operações.
Participação de Capital de Terceiros
Esse indicador mede a proporção do capital de terceiros em relação ao capital total da cooperativa, permitindo avaliar o equilíbrio da estrutura de capital. Seu acompanhamento é fundamental para identificar níveis excessivos de dependência de recursos externos e apoiar decisões relacionadas ao fortalecimento patrimonial.
Índice de Basileia
O Índice de Basileia representa a relação entre o Patrimônio de Referência e os ativos ponderados pelo risco. Seu monitoramento permite avaliar a capacidade da cooperativa de absorver perdas e manter-se enquadrada nos requisitos regulatórios, constituindo um dos principais indicadores de suficiência de capital.
Razão de Alavancagem
A razão de alavancagem auxilia na avaliação da exposição total da cooperativa em relação ao seu capital disponível, permitindo monitorar a sustentabilidade do crescimento das operações e a capacidade de suportar riscos adicionais.
Índice de Imobilização
Permite acompanhar o nível de comprometimento do patrimônio com ativos permanentes. O monitoramento desse indicador auxilia na preservação da capacidade financeira da cooperativa e no atendimento aos limites regulatórios estabelecidos pelo Banco Central.
Ferramentas de apoio ao monitoramento e fragilidades na gestão do risco de capital
As cooperativas participantes do Projeto Conformidade, desenvolvido em parceria com a OCB RJ, possuem acesso à plataforma Oncoop/Coopmonitor, que disponibiliza relatórios gerenciais e indicadores específicos para acompanhamento do risco de capital.
A ferramenta permite monitorar indicadores como Endividamento Total, Solvência Geral, Participação de Capital de Terceiros, Índice de Basileia, Razão de Alavancagem e Índice de Imobilização, facilitando a identificação de tendências e apoiando a tomada de decisão pelos órgãos de administração. Além do acompanhamento dos indicadores, o sistema possibilita o monitoramento mensal dos limites regulatórios e a sinalização de situações que demandem atenção ou adoção de medidas corretivas.
A adequada gestão do risco de capital depende do envolvimento efetivo da Diretoria, do Conselho de Administração, caso haja, e do Diretor Responsável pelo Gerenciamento de Riscos.
Compete ao Diretor responsável acompanhar a execução da estrutura de gerenciamento de capital, supervisionar os indicadores de suficiência patrimonial e apoiar a elaboração dos relatórios gerenciais que subsidiam a tomada de decisão da administração.
O acompanhamento periódico desses indicadores permite identificar antecipadamente necessidades de reforço patrimonial e adotar medidas preventivas para preservação da solidez financeira da cooperativa.
A ausência de monitoramento periódico dos indicadores patrimoniais pode dificultar a identificação tempestiva de situações de desenquadramento ou redução da capacidade financeira da cooperativa.Também merecem atenção situações de crescimento das operações sem planejamento adequado das necessidades futuras de capital, aumento excessivo da dependência de recursos de terceiros e redução dos índices de solvência sem a adoção de medidas corretivas.
Outro ponto relevante está na inexistência de avaliações prospectivas sobre a suficiência de capital, o que pode comprometer a capacidade da instituição de enfrentar cenários adversos e sustentar seus objetivos estratégicos.
Atenção:
A gestão do risco de capital não deve se limitar ao acompanhamento dos limites regulatórios. É fundamental que a cooperativa mantenha processo contínuo de monitoramento, planejamento e avaliação das necessidades futuras de capital, alinhado ao seu planejamento estratégico e ao perfil de risco da instituição.
Além disso, a cooperativa deve manter Plano de Capital compatível com suas operações, contemplando metas, projeções e medidas de contingência para situações que possam comprometer a suficiência patrimonial. Para as cooperativas de crédito, a utilização de indicadores confiáveis, relatórios gerenciais e ferramentas de monitoramento constitui importante evidência da efetividade da gestão de riscos e da sustentabilidade financeira da instituição.
Na edição anterior, abordamos o Risco de Liquidez e a importância do acompanhamento da capacidade financeira da cooperativa para honrar seus compromissos e manter o equilíbrio das operações. Nesta edição, avançamos para o Risco de Capital, destacando a importância do planejamento patrimonial, da suficiência de capital e do monitoramento contínuo dos indicadores que sustentam a segurança e o crescimento da cooperativa.
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