Radar Coop Crédito – Política de Qualidade da Informação: como implementar, fortalecendo a governança e a confiabilidade dos dados
A implementação da Política de Qualidade da Informação representa um importante passo para fortalecer a governança e assegurar que as decisões da cooperativa sejam baseadas em informações confiáveis.
Nas últimas edições do Radar Coop Crédito abordamos diversos temas relacionados à gestão das cooperativas, como indicadores estratégicos, gerenciamento de riscos, planos de ação, atuação da Diretoria, PRSAC e Educação Financeira. Embora distintos em sua finalidade, todos esses processos possuem um elemento em comum: dependem da qualidade, confiabilidade e integridade das informações utilizadas pela administração, para tomada de decisão e para o cumprimento das obrigações regulatórias da instituição.
É justamente nesse contexto que se insere a Resolução Conjunta nº 18/2025, que estabelece a obrigatoriedade de elaboração, implementação e manutenção de uma Política de Qualidade das Informações prestadas. Além disso, a norma determina que as instituições assegurem a qualidade das informações fornecidas ao órgão regulador, abrangendo dados quantitativos e qualitativos, documentos e relatórios remetidos ou disponibilizados ao Banco Central, estruturando processos, responsabilidades e controles capazes de fortalecer a governança institucional.
Mais do que atender a uma exigência regulatória, implementar essa política significa criar mecanismos para que as informações produzidas pela cooperativa sejam confiáveis, consistentes, completas, tempestivas, rastreáveis e adequadas ao seu propósito, reduzindo riscos operacionais, aumentando a segurança das decisões e fortalecendo a atuação da administração.
A íntegra do normativo pode ser consultada no site do Banco Central do Brasil:
Como iniciar a implementação da Política de Qualidade da Informação
Conhecer o fluxo das informações da cooperativa
O primeiro passo consiste em compreender como as informações são produzidas, tratadas, armazenadas e utilizadas pela cooperativa. É importante identificar quais áreas geram informações relevantes, quais sistemas são utilizados, como ocorre o fluxo entre os setores e quais dados são encaminhados ao Banco Central ou utilizados pela administração para apoiar a tomada de decisão.
Esse mapeamento permite identificar vulnerabilidades, reduzir retrabalho e aumentar a confiabilidade das informações.
Definir responsabilidades de forma clara
A qualidade da informação não depende apenas da área de tecnologia ou da equipe responsável pelos envios regulatórios. Cada colaborador e cada área possuem responsabilidades específicas na geração, conferência, validação e atualização das informações sob sua responsabilidade. Da mesma forma, cabe à Diretoria assegurar que exista uma estrutura de governança capaz de coordenar esses processos, acompanhar sua efetividade e promover melhorias contínuas.
Identificar as informações críticas
Nem todas as informações possuem o mesmo impacto para a gestão da cooperativa. Por isso, é recomendável identificar quais dados são essenciais para:
- elaboração das demonstrações financeiras;
- envio de informações ao Banco Central;
- gerenciamento de riscos;
- controles internos;
- auditorias;
- acompanhamento dos indicadores estratégicos;
- tomada de decisão da Diretoria e do Conselho de Administração (caso haja).
Quanto maior a relevância da informação, maior deve ser o nível de controle aplicado sobre ela.
Implementar controles de qualidade
Após identificar as informações críticas, a cooperativa deve estabelecer controles compatíveis com seus processos e sua estrutura operacional.
Entre as práticas que fortalecem a qualidade das informações destacam-se:
- validação dos dados antes de sua utilização ou envio;
- conciliações entre sistemas e relatórios;
- revisão periódica de cadastros;
- definição de responsáveis pela conferência das informações;
- segregação de funções nos processos críticos;
- registro das alterações realizadas;
- documentação dos procedimentos adotados.
Esses controles reduzem inconsistências e aumentam a confiabilidade das informações utilizadas pela administração.
Monitorar continuamente a qualidade das informações
A implementação da política não termina com sua aprovação. É fundamental estabelecer um processo contínuo de monitoramento para identificar inconsistências, avaliar a efetividade dos controles implementados, revisar procedimentos e acompanhar a evolução da qualidade das informações ao longo do tempo. Sempre que forem identificadas fragilidades, recomenda-se a elaboração de planos de ação com definição de responsáveis, prazos e acompanhamento da implementação.
Elaborar Relatório de qualidade das informações
Outro importante requisito estabelecido pela Resolução Conjunta nº 18/2025 é a elaboração, com periodicidade semestral, do Relatório de Qualidade das Informações, instrumento destinado a consolidar os resultados do monitoramento realizado pela instituição sobre a qualidade das informações prestadas ao Banco Central do Brasil. O relatório deve contemplar as principais irregularidades identificadas nos processos de qualidade da informação, inclusive aquelas apontadas pelo Banco Central do Brasil, bem como as medidas saneadoras adotadas para melhoria do processo. Além de constituir importante instrumento de acompanhamento pela administração, o relatório deve ser mantido à disposição do Banco Central do Brasil pelo prazo mínimo de cinco anos e poderá ser requisitado pela Autarquia para fins de supervisão.
Aspectos que merecem acompanhamento permanente pela administração
A implementação da Política de Qualidade da Informação deve ser acompanhada continuamente pela administração, assegurando que as informações utilizadas pela cooperativa sejam confiáveis, consistentes, íntegras, tempestivas e adequadas ao seu propósito. Para isso, é essencial promover a integração entre as áreas responsáveis pela produção e utilização dos dados, monitorar a efetividade dos controles adotados, acompanhar a execução dos planos de ação decorrentes de inconsistências identificadas e manter evidências que demonstrem a aplicação prática da política. Esse acompanhamento contínuo fortalece a governança da informação, reduz riscos e contribui para o atendimento das exigências regulatórias.
O que normalmente é observado nas auditorias
A experiência das auditorias demonstra que as principais fragilidades relacionadas à implementação de uma nova política costumam envolver:
- inexistência ou desatualização da Política;
- ausência de elaboração de Relatórios Semestrais sobre a qualidade das informações;
- responsabilidades não formalizadas;
- ausência de procedimentos documentados para validação das informações;
- falhas de rastreabilidade das alterações realizadas;
- inconsistências entre sistemas e relatórios;
- inexistência de monitoramento periódico da qualidade das informações;
- ausência de planos de ação para tratamento das inconsistências identificadas;
- deficiência na produção de evidências que demonstrem o funcionamento da estrutura implementada.
Mais do que verificar a existência da política, auditorias e órgãos de supervisão tendem a avaliar se ela está efetivamente incorporada aos processos da cooperativa.
Ferramentas de apoio à implementação
As cooperativas participantes do Projeto Conformidade, desenvolvido em parceria com a OCB RJ, contam com soluções que contribuem para fortalecer a governança e a qualidade das informações. O Oncoop/Coopmonitor centraliza indicadores gerenciais, registros de auditorias, matrizes de riscos, controles internos e planos de ação, permitindo que a administração acompanhe informações estratégicas em um único ambiente, registre evidências das ações implementadas e monitore continuamente a evolução dos processos.
Embora a implementação da Política de Qualidade da Informação envolva toda a estrutura organizacional, ferramentas que consolidam informações e facilitam seu acompanhamento representam importante apoio para fortalecer a confiabilidade dos dados utilizados pela cooperativa.
Atenção
Implementar a Política de Qualidade da Informação não significa apenas elaborar um documento para atender à Resolução Conjunta nº 18/2025. Seu verdadeiro propósito é assegurar que as informações utilizadas pela cooperativa sejam produzidas por processos estruturados, submetidas a controles adequados e capazes de sustentar decisões seguras, transparentes e baseadas em evidências.
Ao integrar qualidade da informação, gerenciamento de riscos, controles internos, auditorias e monitoramento de indicadores, a cooperativa fortalece sua governança, reduz sua exposição a riscos operacionais e regulatórios e aumenta a confiabilidade das informações prestadas ao Banco Central e utilizadas pela própria administração.
Ao longo das últimas edições do Radar Coop Crédito, destacamos a importância do acompanhamento dos indicadores estratégicos, da gestão dos riscos de crédito, liquidez, capital e operacional, da elaboração de planos de ação, da atuação da Diretoria na tomada de decisão, da implementação da Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática (PRSAC) e da Política de Educação Financeira.
Cada um desses temas reforçou diferentes aspectos da governança das cooperativas de crédito. Nesta edição, abordamos o elemento que conecta todos eles: a qualidade das informações. Afinal, indicadores, relatórios gerenciais, auditorias, gerenciamento de riscos e planos de ação somente produzem resultados efetivos quando são fundamentados em informações confiáveis, consistentes e produzidas por processos adequadamente estruturados. É essa base que a Resolução Conjunta CMN/BCB nº 18/2025 busca fortalecer, consolidando a qualidade da informação como um dos pilares da governança e da conformidade nas cooperativas de crédito.
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