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Educação política entra na pauta do cooperativismo fluminense em encontro estadual de multiplicadores

terça-feira, 4 de agosto de 2026

A história da política fluminense foi o ponto de partida para uma tarde dedicada a discutir o futuro da representação institucional do cooperativismo. O Sistema OCB/RJ realizou, nesta terçaa-feira (4), o I Encontro Estadual de Multiplicadores do Programa de Educação Política do Cooperativismo Fluminense, reunindo dirigentes, colaboradores e cooperados de cooperativas fluminenses para debater o papel da educação política na defesa dos interesses do setor.

A programação começou com uma visita guiada ao Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e um dos prédios mais importantes da história política brasileira. Inaugurado em 1926, o edifício abrigou a Câmara dos Deputados até a transferência da capital para Brasília, em 1960, e atualmente recebe sessões solenes, visitas institucionais e atividades ligadas à preservação da memória política do estado. O objetivo da visita foi aproximar os participantes do ambiente onde importantes decisões públicas foram tomadas ao longo das últimas décadas, mostrando que a política também faz parte da construção da sociedade e, consequentemente, da realidade das cooperativas.

Cooperativismo precisa ocupar espaços de decisão

Após a visita, os participantes seguiram para o auditório do Sistema OCB/RJ, onde foi realizada a abertura institucional.

O presidente do Sistema OCB/RJ, Vinicius Mesquita, destacou que o cooperativismo brasileiro já possui grande força econômica e social, mas ainda precisa ampliar sua atuação nos espaços de representação política.

“Temos um sistema cooperativista muito forte no Brasil, mas ainda perdemos muito espaço por falta de vivência política. Precisamos entender essa relação, ocupar esses espaços e construir uma representação qualificada.”

Segundo ele, a educação política vai além do conhecimento sobre eleições.

“Mais do que ensinar política, queremos formar um grupo de representação capaz de acompanhar o que acontece, identificar quem apoia as pautas do cooperativismo e quem atua contra elas. No Paraná, praticamente nada relacionado ao cooperativismo acontece sem diálogo com a representação política. Esse é um case que precisamos conhecer.”

Na sequência, o gerente de Relações Institucionais da OCB Nacional, Eduardo Lima Queiroz, apresentou o trabalho desenvolvido pelo Sistema OCB no acompanhamento das decisões dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e mostrou como a educação política pode contribuir para fortalecer a representação institucional das cooperativas.

Atualmente, o Sistema OCB acompanha 5.781 proposições no Congresso Nacional, 2.687 normativos com impacto para o cooperativismo no Poder Executivo e 18.721 decisões monitoradas nos Tribunais Superiores.

Para Eduardo, esses números demonstram que acompanhar a agenda pública deixou de ser uma atividade restrita às relações institucionais.

“A representação está no centro da estratégia do cooperativismo. Quanto maior for o envolvimento das cooperativas e de seus multiplicadores, maior será nossa capacidade de defender os interesses do setor.”

Ele também destacou que o multiplicador tem um papel permanente dentro das cooperativas.

“Esse profissional ajuda a disseminar as diretrizes do Programa de Educação Política, promove ações de cidadania, aproxima a cooperativa dos representantes públicos e atua como ponte entre os cooperados e a estratégia institucional do Sistema OCB.”

Política sem partidarismo

O encerramento do bloco de palestras ficou por conta do cientista político Humberto Dantas, mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Dantas é diretor-presidente do Movimento Voto Consciente e atua há mais de duas décadas na área de educação política, desenvolvendo projetos para instituições públicas e organizações do cooperativismo.

Durante a palestra, ele defendeu que a educação política é um dos pilares para o fortalecimento da democracia e da gestão democrática nas cooperativas.

“Participação e educação são pilares da democracia. Por isso, um programa de educação política faz todo sentido na realidade cooperativa.”

Ao abordar o cenário das eleições de 2026, Humberto chamou atenção para a necessidade de separar posicionamentos individuais das estratégias institucionais das cooperativas.

“A educação política deve educar, não doutrinar. O cooperativismo precisa manter uma postura suprapartidária nas suas percepções e apartidária nas suas atitudes. Os governos passam. As cooperativas continuam.”

O palestrante também destacou que o relacionamento com o poder público exige preparo e continuidade.

“Participar exige tempo e preparo. Precisamos entender a política com maturidade, abrir espaços de diálogo e construir uma atuação coletiva.”

Experiências do Sul do país encerram a programação

O encontro foi encerrado com a roda de conversa “De coop para coop: o case da Educação Política no Sul do país”, conduzida por Tatiane Figura, da Coop. Bom Jesus (PR), e Michele Fernandes,  vice-presidente da COOTRAVIPA (RS) e presidente da Fetrabalho/RS.

As convidadas apresentaram experiências desenvolvidas em suas cooperativas, compartilharam resultados obtidos com o Programa de Educação Política e mostraram como a atuação dos multiplicadores contribuiu para aproximar cooperados, lideranças e representantes públicos, fortalecendo a participação institucional do cooperativismo em seus estados.