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Dia Mundial da Saúde: cooperativas são protagonistas em atendimento e resultados

terça-feira, 7 de abril de 2026

Um em cada quatro brasileiros com plano de saúde confia no cooperativismo na hora de escolher esse serviço essencial. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 88,4 milhões de pessoas em todo o país têm acesso à assistência privada, médica ou odontológica.  Desse total, 24,3 milhões estão associadas a cooperativas de saúde. Os números evidenciam a relevância do cooperativismo para o sistema de saúde brasileiro, ampliando o acesso e promovendo um cuidado centrado nas pessoas. No Dia Mundial da Saúde (7/04), o segmento reforça seu papel na construção de um modelo mais acessível, humanizado e sustentável.

Presença nacional

O ramo saúde reúne 699 cooperativas, presentes em mais de 90% do território brasileiro. Elas são formadas por médicos, odontólogos, enfermeiros, psicólogos e outros  profissionais da área de atenção à saúde humana. O segmento reúne 270 mil cooperados, entre eles 20% dos médicos do país (116 mil), e gera 150 mil empregos, segundo dados do AnuárioCoop 2025. Em 2024, as cooperativas de saúde movimentaram R$123,7 bilhões e atingiram R$75,9 bilhões em ativos.

Referência global

Os maiores grupos cooperativistas de saúde do mundo são brasileiros: os Sistemas Unimed e Uniodonto. De acordo com o ranking Cooperative Monitor 2025, organizado pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), a Unimed está entre as quatro maiores cooperativas do planeta, considerando a relação entre receitas e Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos países. O resultado coloca o Brasil como referência para países que desejam avançar no segmento de saúde por meio do modelo de negócios cooperativo.

Diferenciais cooperativistas

Com enfoque no atendimento humanizado, na valorização dos profissionais e na prestação de serviços de qualidade para a sociedade, as cooperativas de saúde são reconhecidas por sua atuação. Das 18 operadoras médico-hospitalares com nota máxima no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) 2024, da ANS, 16 são cooperativas, totalizando 89% de participação e consolidando o cooperativismo como um modelo de qualidade e inovação no setor de saúde suplementar. Na atenção odontológica, 95% das operadoras mais bem avaliadas pela ANS pertencem ao Sistema Uniodonto.

História e desafios

Criado há 60 anos, o ramo saúde tem acompanhado a evolução do segmento e da sociedade brasileira. “As cooperativas de saúde surgiram como uma reação ao modelo de medicina/odontologia de grupo, buscando a valorização da relação profissional-paciente”, lembra o coordenador de Ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade.

Hoje, segundo o presidente da Unimed do Brasil, Omar Abujamra Junior, o papel do cooperativismo de saúde é ainda mais relevante diante dos desafios do setor no Brasil. “Temos um alcance que nos permite levar assistência de qualidade a regiões onde outras operadoras não estão, além de fixar médicos no interior do país”, destaca. Entre janeiro e setembro de 2025, por exemplo, o Sistema Unimed realizou mais de 529 milhões de consultas, terapias, internações, exames e outros atendimentos ambulatoriais em todo o país.

Na assistência à saúde bucal, o cooperativismo brasileiro também é referência global com o Sistema Uniodonto, maior rede de atendimento odontológico do mundo. Fundado em 1972, o grupo reúne 22 mil cirurgiões-dentistas cooperados e atende a mais de 3,5 milhões de beneficiários em todo os estados brasileiros. “As cooperativas de saúde conseguem ofertar serviços de qualidade com maior eficiência, ampliando a cobertura assistencial e contribuindo tanto para a prevenção quanto para o tratamento das doenças bucais. Além disso, promovem a interiorização do atendimento, levando assistência a regiões onde a presença de serviços privados estruturados ainda é limitada”, destaca o presidente do Sistema Uniodonto, José Alves de Souza Neto, que também preside a ACI Américas.

Para os dentistas cooperados, a Uniodonto também apresenta diferenciais relevantes. O modelo garante autonomia profissional aliada à segurança de uma atuação organizada, com acesso a uma carteira de pacientes estruturada e a oportunidades de atendimento que dificilmente seriam alcançadas de forma individual. O resultado é uma remuneração 30% superior aos valores repassados pelos planos não cooperativos. “Além disso, o cooperado participa dos resultados do sistema, tem voz nos processos decisórios e conta com suporte técnico, operacional e institucional. Outro ponto de destaque é a intercooperação entre as cooperativas singulares, que possibilita o atendimento organizado e a troca de informações clínicas dos beneficiários no time, ampliando o campo de atuação dos profissionais e fortalecendo a rede como um todo”, acrescenta Souza Neto.

Além de oferecer assistência de qualidade e valorizar o trabalho dos profissionais cooperados, as cooperativas de saúde também geram impacto social positivo nas comunidades em que atuam, investem em inovação e promovem a sustentabilidade ambiental. “O modelo cooperativista se diferencia por equilibrar esses desafios com foco no paciente e no desenvolvimento local”, afirma Abujamra Junior.

Futuro do coop de saúde

Em um cenário de desafios de sustentabilidade econômico-financeira com o aumento dos custos assistenciais, o envelhecimento populacional e a incorporação acelerada de novas tecnologias, as cooperativas de saúde continuam avançando na coordenação do cuidado, na atenção primária e na integração de dados, garantindo eficiência e qualidade.

As demandas do setor e a busca por um ambiente regulatório favorável ao desenvolvimento das cooperativas da área são articuladas em conjunto no Conselho Consultivo do Ramo Saúde, que reúne 44 representantes de cooperativas, das Organizações Estaduais e da Unidade Nacional do Sistema OCB.

Nos últimos anos, o colegiado teve papel decisivo na construção de soluções institucionais relacionadas à assistência em saúde com impactos para o cooperativismo, como o Piso Nacional da Enfermagem, a Reforma Tributária, o Projeto de Lei 7.419/2006 (que propõe um novo marco legal para o mercado de planos e seguros de saúde), a judicialização no setor e os impactos das mudanças na saúde no período pós-pandemia.

Para 2026, a prioridade do Conselho é avançar em temas como a ampliação do acesso a linhas de financiamento público para cooperativas, participação efetiva do cooperativismo de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), contratações públicas de cooperativas e regulamentação da inteligência artificial no setor. “Também há espaço para ampliar parcerias público-privadas, fortalecer a intercooperação e expandir a atuação para novos segmentos da saúde, como psicologia, fisioterapia e enfermagem, onde já existem cooperativas, mas ainda com baixa escala”, afirma Andrade.

Fonte: Somos Cooperativismo – Sistema OCB