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Cooperflora: gestão de dados impulsiona cooperativa e ganha projeção

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Em um ambiente econômico marcado por mudanças rápidas, especialistas defendem que organizações mais preparadas substituem previsões rígidas por apostas estratégicas [CT1] baseadas em dados, flexibilidade e capacidade de resposta. Foi justamente seguindo essa lógica que a Cooperflora, cooperativa de flores localizada em Jaguariúna/SP, consolidou sua trajetória de crescimento. Ao substituir a intuição pela inteligência de mercado e integrar tecnologia de ponta desde o plantio até a entrega final ao cliente, a cooperativa registrou um expressivo crescimento de 51% no faturamento em dois anos.

 

Essa transformação operacional despertou o interesse de executivos da Hensall Co-op, uma das maiores cooperativas do Canadá, que visitaram a cooperativa para compreender como a digitalização consegue assegurar a precisão logística em operações de alta perecibilidade. Em novembro de 2025, a cooperativa foi reconhecida com o Prêmio Automação da GS1 Brasil [CT2] pela implementação de um sistema de rastreabilidade total conectando o produtor ao consumidor final.

 

Para Milton Hummel, diretor geral da Cooperflora, o modelo de gestão está diretamente relacionado à forma como a cooperativa interpreta as transformações do mercado e se prepara para os diferentes cenários futuros.

 

“Atuar sob os princípios cooperativistas é uma escolha diária. O desafio é equilibrar uma gestão que gere valor aos cooperados e, ao mesmo tempo, mantenha relevância para os clientes e para toda a cadeia de flores. A velocidade das transformações tecnológicas, especialmente nos últimos dois anos, e a alta perecibilidade dos nossos produtos exigem eficiência operacional e visão de futuro. Enquanto buscamos entregar resultados no presente, também analisamos os cenários e movimentos que podem impactar o mercado.”

 

Hummel destaca que a transparência das informações é um dos pilares desse modelo. “Nossos cooperados possuem acesso a todas as informações sobre as vendas de seus produtos. Eles podem comparar seus desempenhos aos de outros cooperados que produzem os mesmos itens e identificar seus principais clientes por dia, semana, mês ou ano. Esse modelo, baseado em relatórios de BI, gera valor agregado porque permite tomadas de decisão mais assertivas para investimentos em expansão ou para a troca de variedades e espécies cultivadas.”, explica.

 

A tensão da perecibilidade

Diferente de outras commodities agrícolas, a cadeia de flores opera em um ritmo próprio, determinado pela sensibilidade e pelo frescor dos produtos. Uma rosa recém-colhida, por exemplo, exige uma logística precisa e sincronizada para preservar sua qualidade até o destino. Nesse cenário, coordenação e agilidade deixam de ser apenas eficiência operacional: passam a ser parte essencial do valor entregue ao mercado.

 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (IBRAFLOR), o PIB da cadeia produtiva somou R$ 23,35 bilhões em 2025, um avanço de 10% frente ao ano anterior. Por sua vez, a Cooperflora gerencia uma expedição semanal superior a 2,6 milhões de hastes, volume que exige integração contínua entre escala e preservação de qualidade.

 

Para sustentar esse fluxo sem precedentes, a cooperativa desenvolveu, em 2015, o SINC – uma plataforma digital proprietária que integra, em tempo real, a oferta nos campos com a demanda dos clientes. Desde então, aprimoramentos contínuos vêm sendo realizados para garantir redução de gargalos e aceleração na tomada de decisão.

 

Esta maneira de orquestrar o mercado chamou a atenção do coordenador do Grupo Hensall Co-op, Geert Schipper. “O modelo nos impressionou pelo nível de inovação e pela forma como é estruturada toda a operação logística, garantindo que os produtos cheguem ao mercado com agilidade e qualidade.”, afirmou.

 

Os pilares da operação

A transformação da Cooperflora repousa em três pilares operacionais interconectados: rastreabilidade total da cadeia, padronização de processos segundo normas internacionais, e automação logística que reduz erros e acelera ciclos de entrega. Esses elementos trabalham em sinergia para eliminar ineficiências e garantir que cada flor chegue ao consumidor com qualidade máxima.

 

O Prêmio Automação da GS1 Brasil reconheceu a implementação de um sistema de rastreabilidade que cobre cada etapa da cadeia, do plantio à entrega final. De acordo com Nilson Gasconi, executivo de negócios da GS1 Brasil, a estrutura implementada representa um marco para o futuro do agronegócio. "Uma estrutura de rastreabilidade como essa demonstra, na prática, como padrões globais permitem maior controle, transparência e confiabilidade ao longo de toda a cadeia, do produtor ao ponto de venda. Para o agronegócio brasileiro, iniciativas como essa são fundamentais para aumentar a competitividade internacional, reduzir perdas e otimizar processos logísticos de forma estruturada e escalável."

 

A automação logística implementada transformou de forma expressiva a produtividade dos processos internos. A operação de picking registrou um aumento de 61,46% em sua eficiência. Esse avanço impactou diretamente a curva de aprendizado da equipe. Anteriormente um colaborador necessitava de quase um ano para alcançar total autonomia na função, hoje o processo foi otimizado para apenas uma semana.

 

O tempo de leitura na entrada e saída de mercadorias foi reduzido em 75%, eliminando completamente os gargalos manuais de conferência que antes atrasavam toda a cadeia de distribuição. Simultaneamente, a acuracidade de estoque atingiu 99,9976%.

 

Referência para outras cadeias

 

O modelo em operação tem servido de benchmarking. A cooperativa agropecuária CAISP realizou uma imersão técnica para conhecer de perto a inteligência logística e comercial da Cooperflora, demonstrando que os processos desenvolvidos na cooperativa são plenamente replicáveis em diferentes cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.

Internacionalmente, a visita da Hensall Co-op [CT3] consolida esse reconhecimento em escala global. "O desejo de aprender com cooperativas bem-sucedidas nos levou a mergulhar em todos os aspectos do setor de flores em Holambra", contou o coordenador do grupo canadense.

 

O diferencial não passa por escala bruta ou recursos infinitos, mas por inteligência estratégica, decisões baseadas em dados e uma estrutura que distribui valor real entre todos os elos da cadeia.