Cooperativas: a chave para a igualdade de gênero
Com a participação de representantes de 15 países da região, o movimento cooperativo das Américas comemorou o Dia Internacional da Mulher com um seminário online que focou o debate nos desafios atuais em termos de direitos, participação e governança, sob uma perspectiva de igualdade.
A atividade foi organizada pelo Comitê Regional para a Equidade de Gênero (CREG) das Cooperativas das Américas e reuniu mulheres e homens ligados a cooperativas, federações, universidades e instituições de todo o continente, em um espaço de troca que combinou reflexão política, perspectiva histórica e compromisso transformador.
Um dos momentos centrais do encontro foi a apresentação da Dra. Mónica Xavier, atual diretora do Instituto Nacional da Mulher do Uruguai, que ofereceu uma perspectiva clara e convincente sobre o significado do dia 8 de março no contexto atual.
Xavier enfatizou que esta data transcende a comemoração simbólica e deve ser entendida como um exercício de memória coletiva e de reivindicação de direitos. Nesse sentido, ele lembrou que os avanços alcançados na igualdade de gênero “não foram concessões, mas o resultado de lutas contínuas ao longo do tempo por movimentos feministas em todo o mundo”.
Durante seu discurso, ela também alertou sobre as persistentes desigualdades que afetam as mulheres em diversas áreas, desde o acesso a cargos de tomada de decisão até as desigualdades econômicas e a violência de gênero. Ela observou ainda que, no contexto atual, “alguns direitos arduamente conquistados estão começando a ser questionados, o que reforça a necessidade de vigilância constante e de um compromisso coletivo com sua defesa”.
Ao mesmo tempo, ele enfatizou a importância de “reconhecer o progresso alcançado, não como um ponto final, mas como uma base sobre a qual se pode continuar a construir sociedades mais justas e igualitárias”.
Um dos conceitos mais impactantes em sua apresentação dizia respeito ao papel das mulheres em posições de liderança. Ela argumentou que toda mulher que alcança uma posição de tomada de decisão também assume um mandato ético: o de ajudar a abrir caminho para outras. Essa ideia reforça a natureza intergeracional da luta pela igualdade, onde as conquistas individuais adquirem significado na medida em que se transformam em oportunidades coletivas.
Na perspectiva da CREG, o webinar também serviu como uma oportunidade para reafirmar o papel do movimento cooperativo como ator fundamental nessa agenda. Os palestrantes concordaram que o movimento cooperativo possui ferramentas concretas para promover a igualdade de gênero, não apenas em sua retórica, mas também em suas práticas cotidianas.
Em particular, foi destacada a necessidade de avançar rumo a modelos de governança mais inclusivos, fortalecer os processos de formação com uma perspectiva de gênero e consolidar compromissos institucionais que se traduzam em políticas e ações sustentáveis ao longo do tempo.
O evento deixou claro que o desafio é significativo, mas que existe uma base sólida para avançar. Num contexto regional marcado por tensões sociais e económicas, o movimento cooperativo emerge como um espaço com potencial para impulsionar transformações profundas, sustentado pelos seus valores de democracia, solidariedade e participação.
Assim, o dia 8 de março, em um contexto cooperativo, foi não apenas um momento de reflexão, mas também uma reafirmação de compromisso: continuar construindo a igualdade a partir de cada organização, com a convicção de que as mudanças estruturais exigem tanto vontade política quanto ação coletiva.
Fonte: ACI – Aliança Cooperativa Internacional