2026 começou com a certeza de um ano que se apresenta como decisivo para cooperativas e empresas que buscam manter relevância e competitividade. Avanços tecnológicos, novas exigências de transparência, mudanças no mundo do trabalho e a pressão por posicionamentos consistentes já redesenham o cenário dos negócios.
Diante desse contexto, a MundoCoop mapeou dez tendências que devem influenciar decisões estratégicas nos próximos meses. Mais do que previsões, os temas refletem transformações estruturais em curso e ajudam a organizar o debate sobre prioridades e caminhos possíveis a seguir. Para isso, convidamos especialistas para aprofundar a compreensão sobre cada um desses movimentos e seus impactos práticos.
Nesta série especial, você acompanha semanalmente cada uma das tendências selecionadas. Nesta segunda tendência destacada, falamos sobre a evolução da agenda ESG e a crescente exigência por monitoramento contínuo de indicadores ambientais, sociais e de governança. O tema reflete uma mudança estrutural na forma como organizações prestam contas ao mercado, ao poder público e à sociedade.
Tendência 2: ESG em tempo real
Até pouco tempo, relatórios ESG eram divulgados de forma anual, geralmente como instrumentos de prestação de contas e posicionamento institucional. Esse cenário passa por uma transformação acelerada. Investidores, reguladores e cadeias globais de valor demandam hoje informações mais frequentes, padronizadas e verificáveis sobre impactos socioambientais e práticas de governança.
Nesse novo ambiente, a agenda ESG deixa de ocupar um espaço periférico na comunicação corporativa e passa a integrar os mecanismos centrais de gestão, risco e tomada de decisão.
Reinaldo Oliari, sócio de serviços de Accounting & Reporting Assurance, e Adilson Martins, sócio líder para a indústria de agronegócio da Deloitte
Reinaldo Oliari, sócio de serviços de Accounting & Reporting Assurance
Os relatórios de sustentabilidade e os indicadores ESG deixaram de ser dados complementares para se tornarem informações relevantes para investidores e provedores de capital na tomada de decisões. Diante dessa demanda crescente, reguladores e diferentes stakeholders do mercado de capitais passaram a exigir informações mais frequentes sobre indicadores de performance e de impacto socioambiental, o que amplia a necessidade de governança sobre a forma como esses dados são estruturados, monitorados e divulgados.
A governança, nesse contexto, assume papel central para a sustentação das organizações. No caso das cooperativas, essa dimensão se torna ainda mais relevante. Além de representar um princípio estruturante do modelo cooperativista, a governança precisa lidar com uma dinâmica particular do setor, na qual o cooperado pode ocupar simultaneamente posições distintas dentro da organização, como representante em órgãos de governança, cliente e fornecedor.
Adilson Martins, sócio líder para a indústria de agronegócio da Deloitte
No Brasil, esse movimento acompanha a tendência global de fortalecimento dos relatórios de sustentabilidade e da integração entre indicadores financeiros e socioambientais. Normas como a Resolução CVM 193/23 e a Resolução CMN 5.185/24 estabeleceram parâmetros mais claros para a estrutura, o conteúdo e os controles internos dessas informações, que passam a ser submetidas a processos de asseguração por auditoria independente.
À medida que cadeias globais de valor e instituições financeiras elevam suas exigências, aumenta também a pressão por dados ESG mais consistentes, comparáveis e atualizados. Nesse cenário, organizações que estruturam sistemas robustos de monitoramento e governança dessas informações tendem a conquistar vantagem competitiva em um ambiente que ainda carece de padronização e transparência.
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