Sororidade, proteção e conscientização marcam o 8° Encontro Estadual de Mulheres Cooperativistas do RJ

Em um momento marcado por reflexão, aprendizado e fortalecimento coletivo, o 8° Encontro Estadual de Mulheres Cooperativistas do Rio de Janeiro reuniu participantes de diversas regiões do estado para discutir o tema “Mulher e a sua rede de proteção”. O evento trouxe palestras, aula prática de defesa pessoal, depoimentos e análises sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade atual, especialmente diante do aumento da violência de gênero no estado e no país.

A programação central contou com a palestra de Jociane Coutinho, psicóloga e dirigente da Unifop, que destacou o impacto da sororidade como elemento essencial na proteção das mulheres. Segundo ela, vínculos saudáveis, relações de apoio e espaços de escuta fortalecem a autonomia feminina e contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

Para contextualizar sua fala, Jociane apresentou uma visão histórica da construção social da mulher, ressaltando como, ao longo dos séculos, as mulheres foram submetidas a estruturas machistas que reforçam a ideia de fragilidade. “Vivemos sob uma sociedade que molda a identidade feminina a partir da submissão e do acúmulo de papéis, e isso gera adoecimento e silenciamento”, enfatizou.

Citando Simone de Beauvoir e sua conhecida reflexão — “Não se nasce mulher: torna-se mulher” — Jociane provocou as participantes a refletirem sobre identidade, essência e autonomia. Deixou no ar perguntas que ecoaram entre as presentes:
O que é ser mulher? Como somos definidas? Quantas vezes fomos prejudicadas por simplesmente sermos mulheres?


Participação da DEAM, a importância do engajamento masculino e principais tipos de violência

O evento contou com a presença da delegada Alriam Miranda Fernandes, titular da DEAM no Rio de Janeiro. Ela distribuiu aos participantes uma cartilha completa sobre violência doméstica, explicando mecanismos de proteção, redes de apoio e serviços públicos disponíveis.

A delegada destacou também a necessidade da participação masculina em encontros como este:
“Para construirmos uma sociedade menos violenta, os homens precisam se educar, aprender e se responsabilizar pelas mudanças necessárias.”

Durante o encontro, a delegada apresentou os principais tipos de violência previstos na legislação brasileira, reforçando a necessidade de atenção a sinais físicos e emocionais. Entre eles:

  • Violência física
  • Violência psicológica
  • Violência sexual
  • Violência patrimonial
  • Violência moral

Foi reforçado que ciúmes excessivos não são demonstração de amor, mas podem ser um dos primeiros indícios de uma relação abusiva. Outro ponto central foi o alerta sobre a importância de guardar provas e indícios, quando possível, para registro na DEAM (Delegacia de Atendimento à Mulher).

A Lei Maria da Penha, conforme ressaltado no encontro, protege mulheres cis e trans, em relações homo ou heteroafetivas, e considera todas as formas de violência apresentadas.

 


Depoimentos que fortaleceram a troca e a conscientização

Rogério Guedes da Silva (Mestre Rad)

Professor de Educação Física e faixa-preta de jiu-jitsu, Mestre Rad reforçou que a defesa pessoal é uma ferramenta indispensável para qualquer cidadão — e ainda mais essencial para as mulheres. Diante do cenário crescente de violência, destacou que aprender técnicas de autoproteção não apenas fortalece a segurança física, como também contribui para o empoderamento emocional e a confiança das mulheres em situações de risco.

Durante o encontro, conduziu uma aula prática e dinâmica sobre estratégias de defesa em casos de tentativa de agressão. A atividade proporcionou às participantes a oportunidade de vivenciar técnicas simples, porém eficazes, demonstrando que a autodefesa é um caminho possível e acessível. Mestre Rad enfatizou a importância de que cada mulher busque meios de se proteger e de conhecer seu próprio potencial de reação, ampliando assim sua autonomia e capacidade de enfrentamento.

Michelle Sabino – Cooperativa Cerci

A atendente Michelle Sabino emocionou ao relatar o impacto do encontro em sua vida. Para ela, a união das mulheres é decisiva na prevenção das violências e na construção de redes de apoio eficazes.
“Quando nos unimos, nos fortalecemos. E é esse fortalecimento que pode transformar a sociedade e combater a violência contra a mulher”, afirmou.

Ana Claudia Rotondo – Comitê Dona Terezita e Sicoob Unimais Rio

Ana Claudia, membro do Comitê Dona Terezita e Gerente de Gente e Cultura no Sicoob Unimais Rio, explicou que o objetivo do encontro era oferecer um espaço de conscientização sobre a realidade enfrentada pelas mulheres no Rio de Janeiro, além de ensinar caminhos para proteção, a busca de apoio e blindagem emocional diante das violências que têm crescido no estado e no mundo.
Reforçou ainda que o evento foi pensado para que todas pudessem aprender como se defender, para onde ir e como agir diante de situações de risco.


Um encontro marcado por acolhimento e transformação

O 8° Encontro Estadual de Mulheres Cooperativistas reforçou a importância de espaços de diálogo, conscientização e fortalecimento das redes de apoio. Entre reflexões profundas, depoimentos inspiradores e orientações práticas, o evento reafirmou que sororidade, informação e união são ferramentas poderosas na proteção e no empoderamento feminino.

Mais do que um evento, foi um convite à ação — para que cada mulher reconheça seu valor, fortaleça seus laços e saiba que não está sozinha.

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